html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> O Sexto Centímetro: Julho 2003

Segunda-feira, Julho 28, 2003

PACIÊNCIA: O paciente homem bicho


Quando o Senhor criou o homem, fitou a sua obra e abanou a cabeça enquanto murmurava “Paciência, paciência…”. Desde esse instante, a paciência é algo intrínseco e indissociável para as zoófilas que levam para casa um destes animaizinhos de estimação.
O homem bicho já foi mais bicho do que homem. Pormenores como a agressão gratuita da mulher na via pública por aquela palha ou, o célebre tiro à esposa sem preparação no fim do trabalho, são provas paraolímpicas de que se orgulham e, explanam a paciência que o macho latino tinha para com as suas caras metade (por vezes literalmente metade tal a dedicação e treino do biltre).
Actualmente, com a emancipação feminina, todo e qualquer episódio que denote falta de paciência por parte do bicho homem é altamente reprovável pela própria matilha que, embora reprove, por dentro exalta de alegria ao rever-se no acto. Este tipo de atitude, aliado a uma imagem Jaime Gama, granjeou ao bicho homem “moderno” um estatuto de paciência que só encontra paralelismo na emotividade das estátuas da Ilha da Páscoa.
A verdade é bem diferente minhas amigas, o que vemos como paciência não é mais que um marasmo hipnótico salpicado por momentos tão emotivos como aqueles grandes planos que assomam os filmes do Manoel de Oliveira. A paciência do homem bicho é uma acomodação ao estilo de vida que lhe é oferecido por umas quantas Madres Teresa que alimentam o bicho nutricional e sexualmente até ele se acomodar.
A paciência no homem atinge o cúmulo quando este paga a uma dominadora, mulher vestida com couro preto e de chicote em punho, para o agredir sem este expressar qualquer tipo de reacção. Cabe-me dizer, a todos os homens bichos adeptos dessa vertente sexual, que estão a ser ROUBADOS! Disponibilizo os números de telefone de milhares de mulheres ostracizadas pelo regime talibãn do homem bicho que pagariam para executar o mesmo tipo de trabalho com um sorriso nos lábios.
Amigas, quando quiserem discutir com o vosso bicho homem e receberem monossílabos monocórdicos com desvios de cabeça despreocupados, isso é a insustentável paciência do ser, nesse momento desfaçam-se do zombie e comprem um peixinho dourado…sempre poupam na comida!

XX


Sábado, Julho 26, 2003

PACIÊNCIA: Paciência de Santo


O Homem é um ser eminentemente social mas, minhas amigas, há limites! Há alturas que se torna difícil aplicar a conhecida estratégia da avestruz e um homem vê-se obrigado a reagir. Sem pretender rever exaustivamente os factores relacionados com a génese das nossas explosões estas surgem invariávelmente fruto da intensidade despropositada com que as mulheres nos bombardeiam com assuntos e discussões descabidas. Tampa da sanita?! Mas alguma vez algum homem se chateou por esta não estar levantada? Qual o decreto de lei que nos obriga a deixar a dita para baixo?! Por mais diálogo que promovamos com o sexo oposto de pouco nos vale. Regra geral, quando uma mulher questiona um homem já tem a sua própria resposta e qualquer outra ficará aquem ou será tomada como um insulto à sua tão apregoada inteligência e sensibilidade. Sensibilidade o tanas! Se fossem sensíveis não se insurgiam constantemente contra a nossa paz nem escolhiam os piores momentos para ter a “tal” conversa que por norma é inadiável e versa sobre problemas que têm origem na sua falta de ocupação, alimentadas pelas suas – e de todas as amigas - imaginações pródigas e férteis. As mulheres erigem o homem em epicentro de todos os seus discursos e práticas. Todas as suas atribulações, deambulações e agitações, intranquilidades e inconformismos, revoltas e frustações. O homem é o culpado! Iniciam sempre as “conversas” polidamente ao que se segue um chorrilho de cobranças e frases desconexas nas quais o tempo é uma obsessão. O tempo de espera, o tempo de solidão, o tempo de namoro, o tempo da insónia, por vezes até o de delírio. Tudo isto replecto de palavras em suspenso e silêncios – lamentávelmente curtos - cortados por constantes oscilações do estado de espírito e timbre de voz. O sentido das palavras temos que decifrar constantemente pois muda consuante a maré. Tudo isto porque as mulheres têm um desejo dantesco e uma necessidade cruel de serem escutadas. Têm que debitar tudo quando lhes passa pela mioleira. Haja paciência! Compreendo agora porque a maioria dos Santos é do sexo masculino? Não somos nós que somos infantis e encaramos a vida com leviandade, são as mulheres que se preocupam demais não deixando qualquer espaço para os reais prazeres da vida. Prazeres que não se encontram em centros comerciais, SPAS ou solários. Coisas tão simples como ler um jornal ou ver um jogo de futebol em silêncio. Tão preciosas como beber uma cerveja com amigos ou jogar à bola. Tão importantes quanto estar com elas… só que elas não entendem! Um homem quando perde a razão é por causas nobres, plausíveis e reais. A mulher nunca a teve!!!

XY


Quinta-feira, Julho 24, 2003

CINEMA: O bicho homem no cinema


De entre as diversas situações e acasos que demonstram a opacidade da exígua massa cerebral do homem destaca-se, pela sucessão de episódios acéfalos, a ida ao cinema.
O nosso primata favorito desdobra-se em cavalheirismos que estranhamos pela ligeireza com que fluem num discurso que costuma primar pelos monossílabos e hiatos comprometedores. Quando vai ao cinema, o símio, ganha outra vida.
O roncar de um motor, sobrealimentado pelo ego raquítico do encantador de cavalos dos tempos modernos, anuncia a chegada do homem bicho à casa de uma das nossas. Os minutos que se seguem parecem segundos que levam horas a passar, o homem cria atalhos, inventa acelerações, reinventa espaços para impressionar uma amiga estarrecida com momentos dignos do “National Geographic” versão “to fast to furious”. Podem esquecer as lojas de roupa e um passeio pelo centro comercial, munido do instinto que usava para matar auroques, o liofilizado ambulante procura um balde de refrigerante e um caixote de pipocas.
A escolha dos filmes fica a cargo do rei da selva caso a relação tenha entrado na fase “preciso Vivir!”, se fôr este o caso, amigas, preparem-se para uma noite de violência gratuita que vos vai custar caro! Se a relação ainda estiver na fase “não preciso Vivir, tenho-te a ti”, temos o poder divino de decidir o que o nosso consorte vai ter o azar de ver.
Com o descernimento e elegância de um arrumador de carros, o bicho homem, esmaga-nos a mão e mostra toda a sua força qual quebra-gelo busca cadeiras. O espectáculo começa e, com o tempo, apercebemo-nos que o nosso companheiro tem visão bidireccional tipo camaleão, um olho na actriz do filme e outro na meretriz do lado. Ao verem que estamos relegadas para figurantes, começam a agarrar a mão da dama e a reconquistar a atenção perdida. Se o beijo de homem bicho já é naturalmente babado, imaginem a quantidade da baba a duplicar com os extras da bebida sobressaturada de açucar e pedaços de pipocas para condimentar o lauto ósculo.
O diálogo com um homem sobre um filme é praticamente um oaristo levado aos limites, a discrepância de opiniões atinge proporções homéricas, a discussão surge e o macho não abdica de ficar por cima tenha ou não razão. A metamorfose acontece pouco antes do filme terminar, embuido de um espírito xaroposo, o homem bicho recorda que ainda não é quinta-feira e, a única sessão mais picante que vai ter é no banco traseiro do carro.
O cinema, para um homem, não é mais que um arena , palco principal da inépcia mental, aventura espúria de horizontes curtos e sem significado reflectidos numa tela branca.

XX

Terça-feira, Julho 22, 2003

CINEMA: Ficção QB


O cinema é um espaço onde tudo pode acontecer (este parêntesis tem por objectivo enaltecer as virtudes do belo do arrufanço neste local), sendo que está sujeito não só à criatividade e talento de quem nele trabalha mas também à imaginação e percepção de quem dele usufrui (e como é bom usufruir). Curioso é que não obstante do fosso que separa os gostos de homens e mulheres este seja local de eleição para estar com a cara metade. O ritual tem inicio na escolha do filme – logo aqui ambos fazem gigantestas concessões para chegar a um consenso – e estende-se aos comentários após a projecção. Muitas vezes fica-se com a impressão que apesar de partilharmos o mesmo espaço vimos filmes diferentes. Nós homens preferimos ficção científica e algo que nos faça pensar a contos de fadas que nos ponham a suspirar. Apreciamos enredos sinuosos que impliquem raciocinar a lamechices para sonhar. Qualquer Matrix ou X-Men assume contornos bem mais reais que a estória de “Uma mulher de sonho”. Meninas, desenganem-se. Não existem homens ou relações perfeitas!
Outra coisa que contribui em muito para o misticismo da ida ao cinema – mais até que o conforto e equipamento técnico – é o barulho ensurdecedor dos ruminadores de milho. Ah, e como não citar os imperdíveis “shiuu” que fazem as delícias da pequenada?! Uma modalidade recente que tem vindo a angariar adeptos são os SMS’s, isto na melhor das hipóteses uma vez que receber e atender chamadas também está em voga, enquanto os demais se sentem ofendidos e desrespeitados (no fundo as suas reacções espelham a inveja por aquele toque polifónico).
O cinema é um vastíssimo laboratório de comportamentos onde paira uma envolvência capaz de nos fazer sentir, esgotar, descobrir, exprimir, recriar e partilhar o que vemos (sem estarmos sujeitos ao inconveniente “querido posso mud…”). Já repararam o quanto é raro encontrar alguém sózinho numa sala de cinema e como os demais fazem disso um acontecimento digno de relevo? E notaram que regra geral essas pessoas são do sexo masculino? Isto porque não necessitamos de sombras para fazer o que nos dá real prazer. Sim, porque nós olhamos para uma tela e atendemos às minúcias ao contrário das mulheres – genéticamente alérgicas à tecnologia – que deixam escapar uma panóplia infindável de efeitos que definem e valorizam a obra. Para elas o supra-sumo dos efeitos e da ficção são as telenovelas… e depois nós é que somos limitados.

XY

Segunda-feira, Julho 21, 2003

HOMENS: O bicho homem


Os homens não nasceram de geração espontânea.
Aqui há uns milhares de anos apareceu, fruto de uma árvore chamada evolução, um animal bípede a que eu carinhosamente chamo bicho homem. O nosso herói vinha equipado de fábrica com um verdadeiro arsenal de extras que o distinguia dos restantes modelos. O meu objectivo é tentar monstrar que o homem (XY) continua a manter, com orgulho, as mesmíssimas características que o tornaram o primata mais evoluído da selva, tendo, no entanto, empatado várias vezes com o orangotango no uso do aspirador doméstico.
Desenganem-se os defensores dos primatas da selva amazónica; os macacos, orangotangos, chimpanzés e animaizinhos peludos com duas testas de dedo andam por aí! É vê-los alegres nos ralis, no meio da estrada, magotes de primatas curarizados por um diálogo com os cavalos do bólide que se cruza com a manada dos hominídeos, ás vezes o diálogo torna-se um monólogo equino mas, aqueles breves segundos de vida deixam o nosso espécime num extâse tal que a perpetuação da espécie é relegada para segundo plano.
O gosto do bicho homem é requintado, qualquer electrodoméstico tem que vir com painel LCD e comando, o comando é um prolongamento da sexualidade do homem, é vê-lo correr de um lado para o outro à procura da presa, sedento pelo poder supremo do zapping e…ai daquela que proferir a frase proibida “querido posso mud…”
O habitat deste mamífero respira tecnologia, a noite na sala do homem é um espectáculo natalício tal a quantidade de leds fluorescentes em stand-by, o processo de ligar/desligar o televisor no próprio aparelho só é realizado uma vez….depois de desempacotar e espalhar pelos quatro cantos da casa mais esferovite do que aquela que vinha dentro da caixa. Processo semelhante à inércia apresentada no exemplo anterior é encontrada na casa de banho do homem, a tampa da sanita é para estar para cima, eles gostam do que vêm, aqui o processo evolutivo foi padrasto para um ramo dos homens que, para além de dar descanso visual à face inferior da tampa da sanita, não usa o autoclismo e provoca um autêntico cataclismo para as escravas Isaura que têm a infelicidade de se cruzar com estes e outros bichos.
A competição é uma das principais características das nossas caras metade, quem já não viu o olhar de soslaio para o jardim do vizinho, a relva do vizinho é sempre melhor do que a deles e, quem diz relva diz mulher, carro, amante… O homem não descansa enquanto não tiver um carro com mais um cavalo do que o do rival, se não é um cavalo é uma égua que não tarda está deitada onde nós vamos sentadas no passeio de Domingo.
Parafraseando o título de um filme vou tentar resumir o que me vai na alma “Feios, porcos e maus”.

XX


Domingo, Julho 20, 2003

MULHERES: A outra metade da laranja


As mulheres fazem muito espalhafato e palratório mas, na realidade, são ocas. Encaixam tudo à força num vão e velho cliché. O amor é, dizem elas, a sua razão de viver, a motor do mundo que a tudo dá sentido, mas a verdade é que o tratam como se de uma ideia morta se tratasse. Não vêm ter com uma pessoa para a amarem, vêm é ter com uma ideia e dizem “tu és a minha ideia”, e assim amam-se a si próprias. São egoístas, obsessivas, controladoras, neuróticas, ciumentas, vingativas, inseguras, indecisas e sobretudo dependentes. Apregoam virtudes e ideais que não praticam e cuja essência desconhecem e só prosperam biológica e psiquicamente à custa do sexo oposto, fazendo com que este definhe psicologicamente com as suas inúmeras dúvidas existênciais. São serpentes que se engolem a si mesmas por estarem esfomeadas e ainda arranjam forma de colocarem nos homens a culpa pelas suas fraquezas. No fundo o seu mote de vida é encontrar e julgar culpados para os crimes que elas propositadamente comentem e, pelo caminho, só arranjam tempo para fazer compras, para se auto-edificarem e se meterem de modo invasivo e inconveniente na vida dos demais. As suas preocupações estão invariavelmente relacionadas com o seu bem estar – o que algumas vezes implica o mau estar daqueles que dizem amar - , o que não invalida que tentem a todo o custo vender a imagem de boas samaritanas. De resto a importância que se ao corpo da mulher nada mais é que o espelho da constatação da sua superficialidade, o que justifica o facto de papaguearem amiúdadas vezes que o que procuram nos homens é beleza e força interior – algo que sabem não possuir. Já a sensibilidade (ou a frescura) que lhes é característica é uma arma perigosa nas mãos de quem sofre de terríveis e imprevisíveis oscilações de humor que, não obedecendo a quaisquer leis, se tornam incontroláveis (ou será insuportáveis?). As excepções são raras e convém estar preparado para a influência desconcertante – confesso que por vezes deliciosamente desconcertante - de uma mulher. O que têm de bom (para além do corpo)? O que as define (para além do corpo)? A resposta é óbvia meus amigos: o homem!

XY