RECAÍDAS: Re-Qaeda
As relações não são inabaláveis, o amor de hoje pode ser a raiva do amanhã e a raiva pode ser a semente perdida num solo à espera de melhores dias para tornar a gerar. Quem gosta repete, mesmo depois de uma desilusão. É tão consensual como natural, chamada a estatística da experiência, o sexo feminino é quem mais cede ao terrorismo contido numa recaída. A força que nos move a baixar o orgulho e pedir ao bicho-homem para voltar aos nossos braços, é a mesma que existe na recuperação do cachorrinho que foge de casa. Que ser humano, só mulheres portanto, ousaria submeter um animal irracional vagamente macacoíde, ao jugo atroz de uma doença venérea apanhada numa visita à fauna local da casa de massagens mais próxima?! Sou apologista de uma apólice segura e, por isso os seguro o mais tempo possível. Connosco as acções não podem descer mais, são homens, só podem valorizar nas nossas mãos, se os vendermos baratos podemos ter que os comprar mais caros, o mercado de valores é definidor de labilidade.
No entanto, o bicho-homem também reincide num afecto antigo. De expressão pétrea e de gatas, o cão implora com pedidos tússicos, daqueles que incomodam pela repetição. E como poderia ser de outra maneira?! O estilo feminino inunda a classe e quem se afoga é o bicho-homem, desprovido de bóias almeja o toque do par que já tocou. Normalmente a nossa cedência é paga mais tarde, com juros emocionais e cassação da licença de raciocínio pela brigada ditante… que é o nosso consciente.
As recaídas são como uma escada rolante. Quando encontramos um bicho-homem ligamo-nos a ele e descemos, vítima do convívio com a espécie menor. A relação acaba e quando uma de nós recai, tenta subir a mesma escada, mas esta só desce quando nós queremos subir. Falta-nos a coragem para olharmos para a escada mesmo ao nosso lado, a que sobe para o patamar onde já fomos felizes. Por vezes o status quo é a medida mais profilática que obvia uma cura mais penosa.
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