O CIÚME: Exercício do poder!
“O Amor nunca fica simplesmente inerte, como uma pedra - tem de ser feito como o pão; tem de ser refeito permanentemente, renovado” cena de ciúme atrás de cena de ciúme, todas elas profundamente injustas, obviamente!
O ciúme é de tal forma assustador numa relação, seja ela qual for, que pode mesmo vir a comprometer seriamente a evolução da mesma, instalando-se um clima de pânico e desconfiança permanente! Quer da parte deles porque sentem o seu território invadido e conspurcado, quer da parte delas que se sentem traídas por outras mais audazes.
Eles porque adquiriram, biologicamente falando, a idéia de que estar numa relação implica o exercício da propriedade que os impele a inveredarem pelos caminhos do poder, da ganância, da posse e, sobretudo, da competição, quanto mais não seja para mostrarem ao vizinho do lado que são melhores que ele apenas porque se envolveram num maior número de relacionamentos afectivos, por vezes simultâneos (estes últimos são fortes candidatos ao prémio máximo de pulhice) cujo único caminho para a sobrevivência dele é a aniquilação das capacidades da sua companheira.
Elas, pelo contrário, são vítimas do ciúme que trás consigo um elevado sentimento de abandono quando confrontadas com a possibilidade de serem barbaramente trocadas, ainda que por meros instantes, por outra cuja saia seja mais curta que a nossa ou o decote mais fundo, enfim por pormenores que para nós não têm grande significado mas que, para eles, são O pormenor.
Dissociar o amor do ciúme é tarefa quase equiparada a qualquer missão impossível. Quem ama sente ciúme. E escusado será dizer que nós mulheres e, por conseguinte, seres intelectualmente (e não só) superiores que eles, sofremos esse mal na pele (e na alma) em maior intensidade. Não só porque somos confrontadas quase diariamente, a ritmo digno de uma modalidade olímpica, pelos ciúmes deles, como somos igualmente atacadas por todas essas ameaças contínuas, ambulantes e desajustadas com que a sociedade nos brinda a todo o momento e que nos força a reagir de forma desesperada perante eles!
XX
