html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> O Sexto Centímetro: Dezembro 2003

Domingo, Dezembro 28, 2003

O CIÚME: Exercício do poder!


“O Amor nunca fica simplesmente inerte, como uma pedra - tem de ser feito como o pão; tem de ser refeito permanentemente, renovado” cena de ciúme atrás de cena de ciúme, todas elas profundamente injustas, obviamente!
O ciúme é de tal forma assustador numa relação, seja ela qual for, que pode mesmo vir a comprometer seriamente a evolução da mesma, instalando-se um clima de pânico e desconfiança permanente! Quer da parte deles porque sentem o seu território invadido e conspurcado, quer da parte delas que se sentem traídas por outras mais audazes.
Eles porque adquiriram, biologicamente falando, a idéia de que estar numa relação implica o exercício da propriedade que os impele a inveredarem pelos caminhos do poder, da ganância, da posse e, sobretudo, da competição, quanto mais não seja para mostrarem ao vizinho do lado que são melhores que ele apenas porque se envolveram num maior número de relacionamentos afectivos, por vezes simultâneos (estes últimos são fortes candidatos ao prémio máximo de pulhice) cujo único caminho para a sobrevivência dele é a aniquilação das capacidades da sua companheira.
Elas, pelo contrário, são vítimas do ciúme que trás consigo um elevado sentimento de abandono quando confrontadas com a possibilidade de serem barbaramente trocadas, ainda que por meros instantes, por outra cuja saia seja mais curta que a nossa ou o decote mais fundo, enfim por pormenores que para nós não têm grande significado mas que, para eles, são O pormenor.
Dissociar o amor do ciúme é tarefa quase equiparada a qualquer missão impossível. Quem ama sente ciúme. E escusado será dizer que nós mulheres e, por conseguinte, seres intelectualmente (e não só) superiores que eles, sofremos esse mal na pele (e na alma) em maior intensidade. Não só porque somos confrontadas quase diariamente, a ritmo digno de uma modalidade olímpica, pelos ciúmes deles, como somos igualmente atacadas por todas essas ameaças contínuas, ambulantes e desajustadas com que a sociedade nos brinda a todo o momento e que nos força a reagir de forma desesperada perante eles!

XX

CIUME: Onde não há ciúme não há amor!


O ciúme existe para nos lembrar da dualidade das coisas. É um sintoma que pode indiciar as mais diversas coisas. Um homem ciumento é simplesmente um ser atento aos acontecimentes, às exigencias do mercado e ciente da sua propriedade. PONTO FINAL.
Uma mulher ciumenta é uma triste panóplia de mecanismos vingativos, despoletados pela insegurança e inexistência de valores, que assenta na transparente frivolidade da sua muito peculiar lógica. E é vê-las cegas de intolerancia com uma sede insaciável para aplacar. Ressabiadas e orgulhosas, buscam incessantemente a condenação dos culpados, desconhecendo que na maioria das vezes se trata delas próprias. Obcessivas e inseguras, presas em "gulags" emocionais, acabam por deitar por terra o império edificado. É que a paciência tem limites e ninguém gosta de dormir com a PIDE. Um homem à mercê de uma fêmea enciumada fica sujeito a todo o tipo de abuso emocional e psicológico, violência perversa e assédio moral. Tudo porque as bitolas pelas quais se regem estão escandalosamente descalibradas! Que amor é esse que não respeita a liberdade e o espaço alheio? Que não tem lugar para a confiança? Oh senhoras, imaginem que estão no nosso lugar e nos veêm todos os dias sair de casa com saias que mais parecem cintos, a exibir o bom do pernil, como faziam? Deêm-se ao respeito respeitando!
Quando empolado o ciúme eclipsa a razão, e não é segredo que o sexo feminino tem propenção para o exagero. O problema das mulheres é não saberem o que valem... ou valerem pouco!

XY

Domingo, Dezembro 21, 2003

DATAS IMPORTANTES: ...ou não!


Eis que chegou o tão almejado momento de falar daquilo que realmente interessa! Aquilo pelo qual qualquer mulher sente o seu ritmo cardíaco disparar feito louco, as pupilas dilatarem ao ponto de quase explodirem dentro dos olhos deles, enfim... O sonho realizado! Ou não.
Para eles é só um dia igual aos outros em que se dão ao luxo de marcar outras coisas, sobrepondo-se aos nossos desejos e expectativas. Fossemos nós um evento digno da Sport TV e era vê-los a fazerem fila nos supermercados para comprarem carinhosamente os apetrechos necessários para agradarem aos amigos convidados para comemorarem o mesmo evento!
Juntam-se em bando para ajavardarem frente ao televisor, gritando palavras de guerra, utilizando o pior vernáculo, pulando de alegria e, num ritual bestial só digno dum bicho-homem deste calibre, abraçar-se aos amigos, também eles demonstrando rituais quase ridículos de comemoração de um simples esférico preto e branco penetrar com toda a pujança, uma baliza qualquer!
E é assim que a mulher se vê renegada para segundo (terceiro, quarto, ou mesmo milésimo) plano na vida destas bestas, constantemente vendo os seus castelos de areia serem destruídos num só sopro, os seus sonhos desfeitos em três tempos com um simples esquecimento, o desejo desmoronar-se no tempo perdido!
Nós que passamos toda uma vida à espera deles, a fazer-lhes agrados, a cuidar deles, a lembrar e relembrar vezes e vezes sem conta na nossa cabeça aquele dia em que demos o primeiro beijo, o primeiro olhar, o primeiro tudo, desejando que eles também partilhem os mesmos sentimentos, que também achem que o aniversário vale a pena ser comemorado e afinal it’s just another day!
E nós lá ficamos, serenas e impávidas a assistir a tudo isto na primeira fila, depois de passarmos dias e semanas a pensarmos naquele dia, a imaginarmos mil e uma coisas que gostaríamos de ver alcançadas, canalizando todas as energias para concretizar mais um sonho com eles e acabamos completamente derrotadas e sem esperança que um dia o sonho se transforme mesmo em realidade!
Mas nós resistiremos até ao dia em que não passe tudo dum grande engano e que o nosso sapinho se transforme finalmente no verdadeiro príncipe encantado que chegará de espada à cinta montado num cavalo branco e comemorará todos os aniversários e mais alguns sendo capaz, nas pequenas coisas do dia a dia, de nos mostrar que ainda vale a pena ter sonhos e esperar por eles! Ou não.

XX

DATAS IMPORTANTES: A minha primeira vez.

Porque temos nós que reservar um dia para enaltecer algo que nos foi grato? Não é muito melhor lembrar o acontecimento diáriamente e fazer tudo para que siga digno da referida importância? Reparem, vamos fazer um pequeno exercicio: se perguntar que acontecimento ocorreu no dia 28 de Fevereiro do ano de 1904, saberão responder? Foi o dia em que o Glorioso Sport Lisboa e Benfica foi fundado. E então? Não saber a data faz de um benfiquista menos adepto? Não! Então porque raio é tão escandaloso o facto de não recordarmos a data do inicio de um namoro? É mais relevante amar a pessoa e prová-lo a cada instante ou fazer uma ganda coboiada anualmente para celebrar mais um ano de encarceramento?
E com que direito são elas que decidem os momentos que devem ser recordados com maior ou menor intensidade? Porque não podemos nós decidir festejar apoteóticamente o dia em que nos fizeram a primeira mamada ou que experiênciamos as delicias de entrar sorrateiramente pelas traseiras? Não faço a minima ideia de quando ocorreu a minha primeira ejaculação e no entanto recordo-a com um carinho quase gay. E, para mim, foi uma data importante!
Não será a celebração de certos factos um mero sustém de privilégios imerecidos? Miasmas de tristeza onde pontualmente brilha uma luz. Luz essa, capaz de encandear o sexo feminino, conhecido pela sua parca visão. Elas eregem e congeminam irrealisáveis projectos faraónicos e pensam estar a colocar a fasquia alta quando no fundo o que fazem é eliminá-la. Porque quem busca a virtude impossível perde de vista a possível.
As ditas “datas importantes” servem somente para nos prender e obrigar a lembrar o passado. É certo que com ele aprendemos e crescemos, mas não me parece que se aplique ao primeiro beijo ou ao inicio do namoro. Dá-me impressão que as mulheres entram nas relações com uma estranha vontade de quebrar records. Só assim faz sentido que contabilizem com tamanha precisão a duração de um relacionamento. O pior é que se servem disso, com uma frequência incomodativa, numa hercúlea tentativa de nos responsabilizarem pois o sentimento ao que parece é directamente proporcional ao factor tempo. Pouco importa as vivências e momentos especiais quando comparado com o tempo da relação. Depois, cada degrau temporal acarreta novas obrigações. Quem nunca ouviu o famoso “Não está já na altura de…”? Meninas, porque não são vocês capazes de disfrutar as coisas sem esse peso. O que tiver que ser… será!

XY

Segunda-feira, Dezembro 15, 2003

A NOITE: Quando o Diabo anda à solta.


De noite todos os gatos são pardos. A noite é aquela altura do dia em que a devassidão se veste de gala e sai à rua pronta para, de forma voluptuosa e lasciva, conquistar, arrebatar, endoidecer qualquer um (ou uma) que ouse atravessar-se no seu caminho. Why not?
É pretexto para tudo: é à noite que o ser humano se transforma, revela o seu oposto. Porque está mais exposto e por isso menos vulnerável às luzes do dia, nesta altura em que o sol se põe para dar lugar à lua, o bicho homem revela a sua bestialidade sem dó nem piedade!
Pobres daquelas que ousam vestir uma saia mais curta ou exibir um decote mais provocante, verdadeiros passaportes para a usurpação da sua dignidade de mulheres, fazendo as delícias da imaginação do bicho homem! Constantemente discriminadas, nem de noite a mulher pode ser mulher, correndo o risco de ser confundida com alguma corista de bairro menos aconselhável para consumo e, portanto, vítima fácil de qualquer capricho menos próprio!
De noite a solidão passeia de mão dada com o desengano. É quando mostramos aquilo que verdadeiramente somos e sonhamos e queremos e desejamos, no mais fundo de nós e temos coragem de mostrar ao mundo inteiro. Tudo é permitido, quanto mais não seja pelos copos a mais que já bebemos e que nos dão a coragem que nos faltou durante o(s) dia(s).
À luz do luar, entre quatro paredes, na cama, no chão, contra a parede, no quarto, na sala, na cozinha, no elevador, à entrada de casa, no vão da escada, sob olhares curiosos dos vizinhos, voyers tímidos, um estranho que passa lá fora e é cúmplice sem querer... de noite tudo isto é gloriosamente permitido, sem medo do proibido, entre gritos e gemidos, respirações que se confundem, corpos que se fundem.
E eis que, depois de tanta folia, chega a derradeira hora, aquela em que o sol começa a deitar os seus primeiros raios de fora, em que os noctívagos se despedem da sua verdadeira identidade com um travo amargo na boca, da tesão que se espraiou algures, perdida numa cama e que não mais voltarão a ver, num corpo que jamais voltarão a sentir.

XX

A Noite: O "fim" do dia!


E eis que surgindo do breu se vislumbra um ser difícil de definir. A transfiguração do monstro vulgarmente designado por mulher, apesar de ocorrer de noite, começa muito antes do sol se pôr. Isto porque nada na mulher é espontâneo. Talvez por isso muitas não consigam reconhecer todo o esplendor da noite. Para a mulher tudo gira à volta de “ses” e por isso experimentam então todo o dramatismo que subjaz à presumível escolha. Incapazes de se deixarem levar pelo momento, é essa a essência trágica do seu corolário. Soçobram nos seus pensamentos e espectativas. A mulher passa o tempo a adiar a sua vida. É tudo para mais tarde. Fica tudo para resolver à noite quando o ambiente estiver calmo e propicio a tudo e a nada. A noite é um apontamento de mansidão na sua existência de tempestade. Como o sexo fraco não é suficientemente hábil e sereno para agir na hora opta por marcar e decidir mais tarde. Se formos analisar e comparar a matriz nevrálgica de uma mulher às 8 da manhã e às 20 da noite nada têm a ver. Quais abóboras, as nossas meninas transformam-se em sopa. Deixam de ter consistência e começa a ser complicado de as identificar, apesar de mais fáceis de digerir.
Curioso é que pensam elas que ao se moldarem qual plasticina nos vão vergar. Pensam que, como as marés, somos influênciados pela lua. Mas a mudança é tão sólida quanto um castelo de cartas e, ao minimo sopro nosso, acabam por se espalhadar. Primeiro insinuam-se sem quaisquer intenções (dizem) e depois quando os planos lhes saiem gorados e não atingem os seus intentos desatam a parvar. Mas que outro fim poderia alguma vez esperar alguém que decide trepar aos tombadilhos o Evareste senão acabar a percorrer os escombros das masmorras dos seus receios?
Podem ter muitas queixas sobre nós homens, quase que na sua totaliade infundadas, mas um homem não muda as suas prioridades e forma de ser do dia para a noite. Somos sempre os mesmos dos rituais de acasalemento requintados e humor refinado. Os mesmo que gostam pouco de atritos mas que se recusam a pedir informações e usar estradas secundárias para fugir à autoestrada e despesas suplementares. Para nós faz tudo parte do conjunto. Gostamos de velocidade e concorrência. Do dia e da noite. De desafios. Gostamos de ter que apalpar à noite aquilo que nem sempre nos parece evidente à luz do dia.
A noite da mulher é feita de rituais. A do homem de hábitos. As diferenças são óbvias… os rituais são trabalhosos e carecem de atenções que os hábitos dispensam. E os nosso dias já são cansativos que baste para ainda termos que nos preocupar com elas e com as suas mariquices noturnas.

XY