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O Sexto Centímetro: Fevereiro 2004
O Sexto Centímetro
Vagarosamente, os valores sociais no que diz respeito aos papeis dos sexos assumem novas formas. Falamos de arte! Queremos os ânimos exaltados porém concentrados, ao rubro, numa desenfreada busca de um equilíbrio que pensamos ser uma mera utopia. Vamos externar atitudes que representam o cerne dos estereótipos. Um homem e uma mulher, juntos numa join venture, vão semanalmente, aqui sob o vosso olhar atento, mergulhar nas profundezas das suas essências. Acompanhem-nos!
Segunda-feira, Fevereiro 23, 2004
Alimentação: O manjar dos deuses
Que é como quem diz, a meia maratona olímpica para vermos quem fica em primeiro lugar em termos de javardisse e de alarvidade alimentícia! And the winner is: o Homem-Besta! Se há alguma coisa em que eles se esforçam realmente em serem bons, e quase o conseguem ser, é na hora das refeições, e também fora delas pois, escusado será dizer que aqueles estômagos de tamanhos exorbitantes (afinal é preciso preencher o espaço deixado vago pela ausência do cérebro), comem tudo, a qualquer hora, e o mais depressa possível para evitarem serem barbaramente ultrapassados por qualquer outro porco assassino faminto! E em que consiste a ração destes seres do espaço?, perguntam vocês! Em tudo! Desde o amendoim que serve apenas para preencher a cova dum dente, até ao maior bizonte assado no forno com babatinhas a murro! De resto é indiferente as horas que passamos de aventalinho em frente ao fogão e o carinho com que preparamos qualquer refeição, pois a bestialidade é de tal forma ímpar que engolem tudo no espaço de dez minutos, com tempo para para falarem dos seus temas preferidos entre uma garfada e outra: Futebol, futebol e futebol! E no final... o célebre grito de guerra: o arroto! Ao contrários de nós, seres superiores, que procuramos manter uma alimentação saudável, sendo prova disso o facto de sermos detentoras do recorde de esperança de vida superior, estando condenadas a acabarmos sozinhas, as bestinhas comilonas, devotam as suas parcas existências ao consumo estupidificado de alimentos com alto teor de hidratos de carbono, glúcidos e lípidos, vulgo banhinha de porco e seus inúmeros derivados (entre eles, o próprio homem).
Quem não é para comer não é para trabalhar. E podia ficar por aqui, até porque outro dos ensinamentos que ingeri foi que com a comida não se brinca (a não ser que a comida seja loira). A hora das refeições é sagrada (ajoelhou tem que rezar), mais que uma oportunidade para esmaltar a conversa e satisfazer uma necessidade fisiológica, o acto de comer transparece muito sobre a pessoa. Imaginem lá uma “menina” a degustar uma saboroso calipo. Ai!, as conclusões que podemos tirar com esta simples imagem! A oralidade e a relação que temos com a comida são eventualmente análogas à conduta sexual que levamos e que, na maioria das vezes, é um protótipo de todos os outros nossos modos de reacção perante a realidade. As mulheres comem uma ervilha e ficam satisfeitas. Um homem carece de outras atenções para fazer soar um sonoro e satisfatório arroto. Dispensamos as velas aromáticas e a decoração requintada e agradecemos que carreguem nos condimentos do pitéu e nunca, jamais, em tempo algum, recusamos um generoso cuzido… caso necessário até fornecemos o chouriço na hora de encher a panela! Que sabem elas sobre prazeres gustativos? Pouco mais que acender o bico e deixar tudo a marinar. Só criticam os nossos petiscos: moelas, pipis, passarinhos ou caracóis são, segundo as herbívoras, desculpas pobres para emborcar cerveja até altas horas, enquanto manjares como dobrada, feijoada, farinheira e leitão são pratos próprios de alarves.Do que elas gostam sei eu! Vivem eternas dietas de resultados invisiveis que tudo o que fazem é deixá-las amargas. Ruminam bolachinhas de alpista e inventam pratos amaricados de peixe e verduras, com os quais fazemos tudo menos puxar carroças. Sim, temos um apetite pantagruélico e não é obrigatório que nos forneçam receitas ou informem do menú para nos porem em ponto caramelo. Dediquem-se à cozinha pois é sabido que a melhor forma de conquistar um homem é pela barriga. E já agora aproveitem e lembrem que o sentido descendente é de mestre. Esqueçam as frases indegestas pois se nos querem conquistar basta servirem com mestria os três pratos.
Desde os primórdios da Humanidade que eles são conhecidos como Magos e Feiticeiros embuídos de um exacerbado instinto para a aldrabice, arte em que, claramente, são pioneiros. Até porque, não sendo dotados de qualquer outra qualidade, só lhes resta a trapalhice, a mentira e o engano para se fazerem valer de algum aspecto parcialmente positivo nas suas parcas vidinhas insignificantes. Basta abrirmos um jornal, qualquer que seja, para nos depararmos com os inúmeros Professores Bruxos ávidos de nos sacarem, não só o dinheiro, como também a dignidade! Sugadores insaciáveis das almas mais desprotegidas, é com este disfarce carnavalesco que tentam, sem sucesso, obter algum “lucro” deste nosso sexo superior. Prometem-nos, sob esta farça de aprendizes de profetas, curas para todos os males que, ironicamente, nos são provocados pelos seus semelhantes: outros homens disfarçados de outras coisas, que não sendo capazes de assumirem qualquer comportamento digno de um ser humano, usam e abusam de todos os meios para devastarem todas as nossas esperanças na felicidade eterna. Felizmente que as suas pseudo-tentativas não passam de um falhanço completo, pois nem para nos enganarem ad eternum, são intelectualmente capazes. As Ciências Ocultas não passam de um meio que eles procuram usar, de forma infértil e com elevado grau de insucesso, para justificarem os seus comportamentozinhos inseguros e traidores, refugiando-se constantemente por trás daquilo que eles julgam, erradamente, ser o nosso único ponto de interesse: as previsões diárias dos horóscopos, tentando, desta forma, desresponsabilizarem-se das atitudes infantis que povoam o seu dia-a-dia animalesco. A maior de todas as ciências ocultas é, de facto, conseguirem compreender-se a eles próprios, pelo que é necessário recorrer a todo o tipo de meios para obtermos o máximo de informação possível sobre o inimigo inferior! Tudo porque são incapazes de cumprirem a sua palavra de honra. Mas, por outro lado... qual honra? Não há bruxaria que os salve!
Movidas por uma inesgotável vontade de não fazer puto nas suas vidinhas insipidas, as mulheres buscam desenfreadamente recompensas saídas do nada. As suas mentes obtusas agarram-se a ideias insustentáveis nas quais o futuro não se constrói mas cai do céu, materializando-se na bola de cristal de um insigne cientista que ostenta um turbante e se diz possuidor com um pacto com o além. Muitas vezes as espectativas ficam aquém, mas é-lhes indiferente porque no fundo elas só necessitam mesmo é de acreditar em algo! Querem respostas para perguntas que ninguém coloca e saber o que o futuro lhes reserva, para em seguida se refastelarem no sofá à espera que a tal galinha que lhe garantiram trazer um ovo de ouro no cú apareça. A relação da mulher com as ciências ocultas é de uma constante procura. A sua parca visão e perspicácia não lhes permite ver nem o óbvio quando mais o escondido. Os seus estados de inteligência oscilam entre desinteria e prisão de ventre e propagam-se entre o género como que de uma virulência atroz se tratasse, em tudo assemelhada à osmose: se uma mulher vai à bruxa vão logo em seguida todas as amigas batem lá com os costados. Contigências de se pensar pela cabeça dos outros! Dá-se um aluimento da pouca sensatez de que gozam impera o relativismo moral quando confrontadas com situações que lhes fogem do controlo e, num àpice, as suas acções passam a ser governadas por uma carta astral de um qualquer horóscopo diário. Meninas, aprendam que assim como o bisturi tem que cortar para poder ser um instrumento de cura o ser humano tem que viver de peito aberto para que possa sentir real prazer e alegria nas suas conquistas pessoais por forma a ser feliz. Marcadas e viciadas por uma estranha excitação, ansiedade pelo amanhã, inveja, frustação e sobretudo por uma curiosidade reconhecida por ainda hoje matar gatos pela calada, a fêmea acaba por se atolar no lodo da sua imensa surdez interior ao deixar de sentir e ouvir as sirenas e alertas que residem nas evidênias do dia-a-dia. Tudo porque a mulher tem essa particularidade de toldar a informação que recebe e de processar deficientemente o que lhe interessa.