html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Strict//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> O Sexto Centímetro: Março 2004

Sábado, Março 27, 2004

Presentes: passado e futuro!



Ora aqui temos mais um tema que, para eles, tripés acéfalos, ainda não passa de um qualquer ser de outro planeta: as prendinhas que nós, seres sobejamente sensíveis, tanto gostamos de receber! Quanto mais não seja porque elas simbolizam, acima de tudo, todas as pequenas coisas que se quer duma relação a dois! Isto é, os pequenas gestos!
Não exigimos diamantes nem cachuchos banhados a ouro, exigimos simplesmente uma atenção carinhosa: ficamos verdadeiramente felizes com o postaleco mais saloio da papelaria, contando que seja totalmente inesperado e de coração.
No entanto, este esforço é impensável sobremaneira para os palhacinhos. E porquê? Porque fantasiam esquizofrenicamente que nós os queremos levar à ruína financeira com um qualquer poder de sucção a que o acto de nos oferecer prendas, poderá estar erradamente associado.
Ao contrário, nós que tudo fazemos para os tentar agradar em vão, passamos uma vida inteira a poupar as nossas parcas economias para lhes comprarmos as prendas que mais gostam e que, obviamente, se prendem com motivos futebolísticos ou alcoólicos! Isto já para não falar das bonecas insufláveis, cd’s, jogos para a playstation, entre outros presentecos de baixo nível de interesse mas de elevado nível económico!
E se compararmos o início da relação em que éramos bombardeadas sem qualquer motivo aparente pelos seus projectos inconcebíveis de presentes, com aquilo que eles nos oferecem agora e o que nos irão oferecer no futuro assistimos a uma decadência tal só comparável com a diminuição etária dos seus cérebros e respectiva capacidade de os utilizarem!
Estamos constantemente a ser atacadas por bonequinhos de peluche de todas as formas e feitios, de todas as cores e tamanhos, de ramos de flores escolhidos cuidadosamente pelas senhoras floristas. Quem foi que lhes disse que nós gostamos de peluches? Será que não percebem que não estagnamos na mesma faixa etária que eles e que a era dos bonecos de peluche ficou algures perdida no nosso passado mais longínquo?

XX

PRESENTES: Ambrósio, apetece-me algo!



Flores, flores, flores. Eis o único presente que um homem pode equacionar dar à sua gaja tendo algumas certezas de estar a afinar pelo diapasão preciso e escorreito das fêmeas. Por mais que o romance seja escrementício, oferecer flores a uma senhora fica sempre bem tendo a mais valia de servir para adubar a relação. O que tem toda a lógica se tivermos em conta que elas pertencem ao grupo das ruminantes. O que não se deve fazer é perguntar à “flor” o que gostaria de receber, porque ou somos de imediato bafejados por deambulações surreais e incoerentes de sonhos inexequiveis, ou levamos com o habitual “qualquer coisa serve” que geralmente mais tarde se converte em “era tudo menos isso”. Mesmo o consensual bouquet pode descambar numa má escolha se tivermos a infelicidade de não o fazer acompanhar das palavras certas ou da raça adequada de erva! Seja como for, o acto de presentear uma dama nunca é um momento plácido. O arauto mais corajoso tremeria ante tamanha responsabilidade. Como se não fosse já penoso suficiente termos que nos julgar no emaranhado da selva das comprinhas ainda temos que aguardar o momento em que as donzelas ordenam os seus apotegmas e nos condenam a ter que fazer melhor para a próxima. Sim, porque os sentimentos para elas medem-se através das concessões financeiras que fazemos, só porque pensam que é assim que pensamos. Então elas que são as musas do esbanjamento!!!
O homem realmente vive na esperança em que a mulher o presenteie com o pacote, mas não é um de embrulho! Até porque normalmente as coisas que nos são importantes não esperamos que nos ofereçam. Se gostamos ou precisamos de algo vamos à caça. Nem temos a disponibilidade e inércia, inteletual e fisíca, necessária para passar horas a laurear a pevide ante montras e a debitar irritantemente entre suspiros teatrais a frase “podias-me oferecer isto”.
Penso que a mulher necessita desses rituais como prolongamento para o seu “sentir” porque ela mesma não encerra a força exigida para usufruir de segurança. E não é por falta de provas ou incentivos da nossa parte. Elas é que têm realmente uma forma muito peculiar de interpretar tudo! O mais adequado para as princesas que também nos benificiaria seriam analgésicos corticais para deixarem de sentir tudo à flor da pele e sobretudo um açaime que nos desse algumas garantias de sossego à hora do telejornal.

XY

Domingo, Março 14, 2004

Passatempos: Fingir que fazem e que têm...



Para além da cuspidela para o chão e do frenético coçar de escroto, não estou bem a ver passatempos que saltem à vista o suficiente... Na verdade, pouca importância já têm... Acabam por ser pequenos Batatinhas, ou pior, não passam mesmo de Companhias, com tudo o que estes (palhacinhos) têm de anedoticamente previsível.
Há pontos que são comuns a todas as actividades destes tripés descaídos para diante. Se falamos de desporto, bom, digamos em abono da verdade que tem de incluir sempre agressividade, bastões, bolas e/ou alguma forma de penetração... Frustrações, digo eu! Enfim... Para aqueles de vós que se queiram documentar e compreender enfim, a causa das coisas, Freud será certamente um bom tutor. Ele explica estes casos com empenho e conhecimento de causa, ou não tivesse sido ele mesmo um cuspidor/coçador de renome...
Mesmo o cinema, acaba por se ver obrigado a envolver perseguições, mortes e cenas de sexo por causa destes mamíferos. Acho que é porque gostam de ver o mundo como gostariam que ele fosse e não como este realmente é...
No fundo, passam mais tempo simplesmente sentados ao volante, segurando as manetes das mudanças do boguinhas, imaginando o que sería a competição, do que propriamente a conduzir a sério. O fenómeno tuning (“chuning”, de “chunga”) é exemplo dessa mesma frustração! Reflectindo com calma e distanciamento sobre tão triste actividade, podemos analisar que é desenvolvida e protagonizada por seres, em todos os aspectos, mirradinhos (a condizer com o tamanho dos veículos) e cujas condições não lhes permitem a aquisição de automóveis de elevada categoria... Então limitam-se a esta actividade de fingir que fazem e que têm, quando na verdade não fazem nem tão pouco têm. É constrangedor para quem vê, mas estes miseráveis bichinhos vêem-se forçados a agir desta forma, a enganarem-se a si mesmos pela sua infeliz condição de excesso de testosterona, que lhes dá aquela necessidade de competirem uns com os outros e de medirem os pistons, para saberem de entre eles qual será o menos coitadinho. Há que ter pena deles... Se virem um na rua, façam-lhe uma festinha e dêem-lhe um ossinho, está bem? Sempre os ajuda a passar o tempo...

XX

Passatempos: A arte de saber viver.



Ousarei afirmar que os passatempos predilectos das mulheres são o dar-à-língua, o esbanjar dinheiro em artigos de TV shop e o penoso passeio domingueiro (dead man walking) no centro comercial mais badalado da área. Tendo elas acesso a esta tríade divina podemos estar seguros que se encontram bovinamente felizes. Qualquer papagaio senil é menos repetitivo que as espécimes dos cabelos longos. Nos seus tempos livres não procuram satisfação física, mental ou espiritual, até porque já se sentem sobejamente realizadas a infernizar as nossas vidas. Aliás, tempos livres é o termo adequado para designar toda e qualquer actividade feminina que não seja cozinhar ou passar a ferro. Permanecem assim ininteligíveis os motivos dos seus actos, mas elas seguem sem olhar atrás, ignorando as próprias motivações. Mulher que se preze e queira valorizar deveria era aprender a costurar ou algo que a resgatasse de forma semelhante ao estiolamento intelectual ao qual vive condenado o sexo distraído. E lá andam elas, em busca de arranjos estereotipados para celebrar as suas experiências únicas, limitando-se a seguir caninamente as amigas nas inúmeras actividades que estas sonham praticar. E é vê-las e aos seus quadris saltitantes entre ginástias, arraiolos, cursos de feng shui, tarologia ou qualquer coisa que esteja na moda. A única certeza que podemos ter é que à hora da telenovela lá estão elas enterradas no sofá a exercitar as pestaninhas em frente ao televisor.
Desculpem-nos então, vaporosas pétalas, se exigimos mais da vida. BTT, electrónica, motores, pesca, ginásio, equitação, música, caça, consolas, futebol, skate, surf, bricolage, leitura, escrita, jardinagem… seja ao ar livre ou entre paredes, sozinhos ou acompanhados, sabemos usufruir a dádiva que é ter tempo para nós. Sabemos que é um investimento de que jamais nos iremos arrepender. Mas só para não parecer ingrato aqui fica o agradecimento oficial pelo banho, refeição e palavras quentes (ou nalguns casos a sensatez sugere a boca calada) ao final do dia.

XY

Quinta-feira, Março 11, 2004

Engate: Tu estás só e eu mais só estou...



Ora aí está o passatempo favorito dos acéfalos bípedes mais famosos do universo, vulgo, “homens-besta”: Engatar até mais não, geralmente com uma elevadíssima quota de insucesso, pois é mais que sabido que, para conseguirem o que quer que seja que se assemelhe a um engate, têm de sorver à velocidade da luz a sua bebida de marca (a célebre imperial quase morta) para tentarem, em vão, manter um nível de conversa suficientemente aceitável e que nos entretenha durante, pelo menos, os primeiros dois segundos!
E depois basta esperarmos pelo fim da noite e vê-los saírem dos locais típicos de engate que frequentam assiduamente e com vergonhoso grau de falabilidade, acompanhados, geralmente, da sua própria sombra! Isto sim, é o verdadeiro entertainment!
O engate transforma-se assim na forma mais vil e torpe que os homenzinhos utilizam para, uma vez mais, nos enganarem! Ou porque estão fartos de passarem a noite com a sua melhor amiga (a mão) ou porque nos querem usar para atingir uma nossa semelhante! No fundo trata-se disso mesmo: de um joguinho revestido da mais elementar falta de inteligência que lhes é sobejamente característica, para nos tentarem, em vão, ludibriar!
É uma forma baixa (equiparada tão somente ao seu próprio nivelzinho) que eles ritualizam ao pormenor! Prova disso são as nossas lady nights em que eles, ou porque não são suficientemente inteligentes para descortinarem o significado português da expressão, ou porque estão tão desesperados que o facto de fazerem fila à porta dos mais variados bares e discotecas nesta noite em particular, prende-se com o facto da sua falta de capacidade para nos seduzir seja reduzida ao mero “engate” ocasional, uma vez que os répteis já estão por tudo! E, no final, conseguem nada! As lesminhas lá seguem a sua demanda de vida, a rastejar na sua própria viscosidade em busca de alguém que partilhe o seu modus vivendi. Alguém disposto a dar quase tudo em troca de nada. É um ciclo vicioso que os deixa ainda mais tontos e baralhados que o habitual. A somar a isto tudo há a agravante de os homens serem por definição pouco refinados, grosseiros e boçais. Já não se fazem sapos como antigamente!

XX

ENGATE: Chiclete, mastiga e deita fora sem demora.



Quero principiar por dizer que só se deixa engatar quem quer. Anjinhos só no céu! Não é a busca pela outra metade da laranja e sim o espremer sumo dos seus gomos. É pegar na maçã e trincar e devorar sofregamente o fruto proibido. É o real porvir humano por mais que tentemos esmaecer diferenças ou agravos. Não nego que não raras vezes o fascínio sucumbirá ao triângulo, mas recuso-me a acatar apocalípticos e lamurientos relatos femininos, que nos fazem parecer bestas insensíveis com o cio que perseguem e encurralam as doces e cêndidas presas. A fêmea, prodígio de sensibilidade, tem a seu cargo o poder de tomar a decisão final. Ingenuidade a nossa que lhes concedemos tamanho poder. Há na mulher um sinuoso impulso sexual, integral e constante, que por tempo indeterminado nos pode pertencer. Há um brilho no olhar quase que letal, revelador de um censor hormonal despótico e sempre vigilante.
O engate é o parente pobre do enamoramento, desviador de fechas e azagaias de ponta deliciosamente envenenadas. Prémio de consolação para os que não ousam investir em algo mais. Mas graças a Deus que não falta para aí gajedo com desequilíbrios freudianos. O engate nasce da ocasião, da necessidade de facturar e satisfazer necessidades sexuais primitivas e não adianta negar as origens!
As mulheres queixam-se que somos comandados pelo “mantorras” mas não hesitam em ocupar o lugar do guarda-redes na altura das grandes penalidades. Muitas delas até se pelam para ser apanha-bolas. Um olhar é o que basta para que ela sorria, chispando malícia. Um piscar de olhos e é vê-la a menear a cabeça concordando. Um jogo de palavras surrealista e alguns fait-divers mais tarde e já estamos a desapertar o fecho das calças, envoltos num ar denso e animalescamente perfumado, rasgados por palavra mudas. A troca de contactos e de nomes dá-se pouco antes do regresso ao local de crime, mantendo um certo distanciamento porque afinal não se deve confiar em estranhos.
O engate é igual para ambos os sexos e se assim não o é deve-se ao facto de as princesas insistirem em cometer o erro de se enganarem ao pensar que nos podem fisgar com tamanha facilidade. Saibam e lembrem minhas flores que engatar-nos é realmente fácil mas não julguem que é com a mesma facilidade que vamos aceitar andar com vocês a reboque.

XY

Sábado, Março 06, 2004

PRAZOS: Não faças hoje o que podes fazer amanhã… nem o que não podes!



Tentem fazer com que um homem assuma qualquer tipo de compromisso e tudo o que vão obter serão grunhidos de significado impreciso e uma valente desilusão. Uma perda de tempo! O homem, por definição, não serve para ser de confiança. Que sabem os macacóides de prazos? Eles são letrados é em emborcar cevada e dar ordens. Tarefa herculea essa de fazer com que o ser de três patas sinta o peso de quaisquer responsabilidades, ainda mais quando para ele chegar atrasado é parte imprescindivel do seu charme. Cumprir seja o que for deve desencadear um qualquer processo irreversível de mortificações precoces do narcisismo masculino. Fazer o que deles se espera é quadro impensável para aqueles que se dizem detentores da verdade suprema. Para os ditos vertebrados, os prazos existem para ser testados, adiados, esmifrados. São frescuras dos demais que não respeitam os seus bio-ritmos. Nós é que somos as vilãs, Cruelas de Villes, sufocantes e sufocadas por urgências fruto das nossas imaginações férteis. Acontece que levamos toda uma vida a fazer o papel de despertador para os meninos. Primeiro porque têm que ir para a escola, depois porque têm futebol, mais tarde é o trabalho e passados uns anos vemo-nos obrigadas a acordar-lhes também a líbido, adormecida pela sedativa inactividade cerebral.
Dizer a um homem para fazer algo “sem falta” até determinada altura, ou gritar-lhe aos ouvidos que não precisamos dele para nada, acaba por surtir o mesmo efeito uma vez que sofrem de falta de iniciativa aguda. Deve haver uma estranha realização no patético homem, algo que está ainda por provar cientificamente mas que está relacionado com o sentir-se necessitado apesar de se saber inútil. Em sentir-se imprescindível… quando na realidade é um mero acessório.
O único prazo que os filiformes pedantes conhecem é aquele de que se socorrem para tentar salvar o rabinho que usam para fugir a torto e direito. Enfiam-se em alhadas e depois tentam escapar às consequências com ele entre as pernas, as mãozitas únidas em sinal de penitência e o famoso “se me der mais um tempo eu...", porque eles nunca fazem nada em tempo útil. Verdade seja dita, eles nunca fazem nada útil!
Com mil raios, eles nem respeitam aquilo que lhes é mais precioso: a cerveja! Para eles a loirinha sem gás também é gente. Qual necrófilia qual quê! Cerveja morta também marcha! Marcha tudo o que vier à rede porque a vida para eles é um passeio no parque, sem horas para voltar a casa.

XX

PRAZOS: Pernas para que vos quero!



Os limites de tempo que se colocam mediante determinada conjectura servem uma causa. Porque razão fazem tanta confusão às mulheres, ainda mais quando desde cedo nos habituamos a viver com eles? A infância tem um prazo, a inocência também. Bem como a adolescência e a irreverência. A vida em si tem-no! Os prazos servem de garantia nesta selva humana emaranhada por interesses que existem sujeitos a flutuações de humor. Tal como com os alimentos, muitas vezes as missões ficam por cumprir e os projectos, por desígnios imperscrutáveis, são condenadas ao fracasso e azedam. Tudo porque alguém decide ignorar a validade de algo. Escusado seria dizer que por norma esse alguém é uma mulher!
Nos relacionamentos os prazos assumem a mesma função seguradora. A homérica parcimónia que amiudadas vezes alude ao afrouxamento, deve ser identificada e punida. Não vamos cultivar hipocrisias. As regras do jogo são sobejamente conhecidas e só entra quem quer. O mundo é competitivo e o empenho deve ser recompensado. Tudo tem prazos. De entrega. De validade. Tudo começa e termina e há que valorizar a pertinácia que permanece constante. O equilíbrio.
As mulheres não desdenham satisfazer a sua cuspidez mas a falta de método leva-as a perder a prudência e o juízo. Metem os pés pelas mãos e falham a toda a hora. Tanto salão de beleza e loja que há por aí impele-as a descuidar das suas prioridades. Elas investem nestas veleidades porque no fundo sabem que também elas têm um prazo. Têm a triste sensação que tudo lhes é perdoado em troca de um sorriso ou descruzar de pernas Stonesco e acabam por descobrir da pior maneira que não são insubstituíveis, ludibriadas pelo retardatário espírito espojado na hora do adeus. Quem tudo quer, tudo perde!
Prazos são compromissos para serem assumidos e cumpridos por pessoas competentes e responsáveis das quais outros possam depender, por se tratarem de individuos idóneos. Quem é que à gerações vem sendo o responsável pelo sustento da família: o fleumático homem! E não é por acaso, amiguinhas! Não se trata de presunção, sou ufano dos dotes e potencialidades do meu género.
O problema das minhas queridas é quererem controlar tudo, para que nada vos fuja do controlo e possam assim continuar a meter os bedelhos no que não vos compete. Então necessitam de colocar freios nos outros. Deixem-nos andar e o mundo será bem mais feliz.

XY