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O Sexto Centímetro: Junho 2004
O Sexto Centímetro
Vagarosamente, os valores sociais no que diz respeito aos papeis dos sexos assumem novas formas. Falamos de arte! Queremos os ânimos exaltados porém concentrados, ao rubro, numa desenfreada busca de um equilíbrio que pensamos ser uma mera utopia. Vamos externar atitudes que representam o cerne dos estereótipos. Um homem e uma mulher, juntos numa join venture, vão semanalmente, aqui sob o vosso olhar atento, mergulhar nas profundezas das suas essências. Acompanhem-nos!
Domingo, Junho 13, 2004
Gerações: Quem sai aos seus (não) degenera...
Ora aqui temos um tema de excelência que servirá para comprovar, uma vez mais, a teoria de que no início (tal como nos relatam as escrituras sagradas) não era o verbo, mas sim a besta! A besta de outrora permanece intacta, qual pedra virgem a desbravar por uma qualquer escultora aventureira que se preste, em vão, a talhar um ser com pés e cabeça! Não contentes com o facto de serem incapazes de diversificar o seu parco núcleo de amizades, devido a um handicap natural para estabelecerem simples relações de amizade, ainda que superficial, connosco, as bestas juntam-se a outras bestas e procuram, em bando, deitar por terra a prova confirmada da sua ignorância! Como se isso não bastasse, os bacôcos acéfalos ainda ousam multiplicar-se, quais cloninhos eternamente inacabados, como o único intuito de nos levarem à loucura! São, no fundo, as bestonas que incentivam as bestinhas a cometerem as mesmas atrocidades dos seus antepassados, reproduzindo, quase que matematicamente, todos os gestos, atitudes e comportamentos já praticados no passado e que, para estas aves raras, são consideradas grandes glórias animalescas típicas destes bichos alucinados. A única informação genética que estes pequenitos amendoins conseguem herdar prende-se única e exclusivamente com aqueles centros de interesse limitados a que já estamos conformadamente habituadas: inúteis e sempre fracassadas investidas sexuais, copular com o máximo de fêmeas possível na esperança de espalharem a epidemia acéfala por todo o planeta, como se tratasse de uma qualquer missão impossível de aniquilação da nossa dignidade e meio de sobrevivência, arrastando-nos para o lamaçal do vazio dos seus cérebros. Onde será que anda a Fada Sininho nestas altura, que não os atinge em cheio com um dardo carregadinho de tranquilizantes para que nós possamos, ainda que momentaneamente, sonhar com a ideia de que, no futuro, eles conseguirão evoluir e melhorar.
Comum a todas as gerações, por mais anos que os separem, é uma vontade elevada ao exponente infinito de mudar para melhor, aliada a uma rebeldia que só se permite em determinada idade. A história repete-se incessanemente e os jovens ávidos de tudo, quando confrontados com as injustiças a que os mais velhos já se conformaram, não hesitam em confrontar os que julgam responsáveis. Sentem tudo demasiado presente de tão sem futuro. É chegada a altura do mas... acontece que rapazes e raparigas têm diferentes preocupações e abordagens. As donzelas ambientadas aos mercados e saldos optam amiudadas vezes por histerias colectivas fruto da rendição do pensamento individual e num àpice transformam um ideal numa peixeirada. Os rapazes têm outra classe. As gajas berram, nós gritamos. Elas perdem o controlo e nós instalamos o caos. O mundo divide-se entre "o"s que conduzem e "a"s que se deixam conduzir. Deixam porque face às suas lacunas e limitações não lhes resta outra opção. Compete ao homem gerir o lar e olhar pela família, fazendo tudo para que os seus tenham um futuro melhor. A mulher tem que fazer o jantar e estar caladinha. Que pode perceber de relações humanas e politica alguém que dedicou anos a fio da sua vida à casinha da barbie e às cozinhas de plástico? E mesmo assim muitas nem o preço do peixe na praça sabem regatear! Têm vergonha de puxar a brasa à sua sardinha. As mulheres lidam pior com o imprevisto e o medo de errar é a porta que as tranca nas masmorras da mediocridade. O homem desde sempre é um lutador. À mulher coube o papel de aguardar na torre a altura em que é resgatada. Se por um lado os principios são o mais rico e vasto património que alguém pode legar por outro não nos podemos esquecer que transmitir conhecimentos é repetir saberes duvidosos, corroídos pelo tempo de uma existência parada. Ao longo de gerações os homens descobriram países, colonizaram continentes, conquistaram povos, cruzaram mares, cavalgaram no Oeste, separaram mares e derrubaram muros... enquanto as mulheres permaneciam espectadoras da sua própria existência e aguardavam, lavadas em lágrimas, na segurança das suas casas, o regresso do herói. E assim permanecem em pleno século XXI! No entanto julgam-se no direito de abrir as bocarras e apontar o dedo. Ponham os olhos na história e resignem-se à vossa insignificância. Se querem fazer algo em prol do desenvolvimento e progresso aqui ficam algumas sujestões: sexo satisfatório, comida na mesa, casa arrumada e boca calada.